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18 de Janeiro de 2019

Política brasileira: show dos horrores

Das palavras à concretização, o ódio tolhe a democracia no Brasil

Hully Rosário, Advogado
Publicado por Hully Rosário
há 4 meses


No dia 06 de setembro de 2018, o candidato presidenciável, Jair Messias Bolsonaro (PSL), foi perfurado por uma faca, manuseada pelo cidadão Adélio Bispo de Oliveira, durante atividade de campanha política na cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. O agressor identificado foi preso em flagrante, após quase linchado por alguns eleitores do candidato.

Bispo de Oliveira não possui qualquer filiação partidária atualmente. No período entre 2007 e 2014 foi filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em Uberaba, entre 2007 e 2014, conforme dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O candidato foi atendido no serviço de urgência da Santa Casa de Juiz de Fora, poucos minutos após o atentado.

O autor do ato delituoso conta com a defesa de quatro representantes jurídicos. Um dos advogados confirmou que a confissão do crime foi realizada pelo autor. Bispo de Oliveira alegou que agiu por motivação religiosa e política, afirmou não concordar com o posicionamento do candidato presidenciável e acreditar que Bolsonaro é excessivamente preconceituoso contra gays, negros e mulheres.

A defesa afirma que o discurso de ódio proferido pela vítima teria desencadeado a atitude extremada do agente.

Teve a prisão preventiva decretada nesta sexta e foi transferido na manhã deste sábado (8) para o presídio federal de Campo Grande (MS), devido determinação judicial.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou, nesta sexta-feira (7) que, a princípio, a Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o ataque contra o candidato teria sido um ato do tipo "lobo solitário", mas que outras duas pessoas além do principal suspeito estão sendo investigadas.

O ataque teve repercussão no mercado cambial, como reação à possível diminuição de chances de vitória aos candidatos de esquerda. Conforme notícia disponível em "economia.uol":

O dólar comercial fechou em queda de 0,95% nesta quinta-feira (6), a R$ 4,104. A moeda abriu o dia em alta, depois passou a cair durante a tarde e acentuou a queda após a notícia de ataque ao presidenciável Jair Bolsonaro.

O acusado deverá responder na esfera federal, ainda que pronunciado a júri popular, por se tratar de infração penal praticada contra interesse da União, nos ditames do art. 109, IV, da Carta política de 1988 c.c. art. 74, § 1º, do Código de Processo Penal.

O candidato foi transferido ontem (7) para o Hospital Albert Einstein em São Paulo, se encontra na unidade de terapia intensiva, com acesso restrito à sua esposa e filhos. Jair Bolsonaro "mantém-se consciente e em boas condições clínicas", segundo boletim médico divulgado hoje (8), conforme notícia publicada em "El País".

Considerações finais

O atentado, realizado com a finalidade de eliminar um candidato, pode tê-lo tornado o novo Presidente do país e os discursos de cunho político, que já apareciam apenas como figurantes nas eleições, se revestem de total insignificância para muitos.

Outrossim, de todos os ângulos em que a situação possa ser analisada, o que se observa são atos de opressores, ora por discursos de ódio, agora por ações, com o escopo de afastar ainda mais a democracia fática do cenário político brasileiro. Tal finalidade está sendo alcançada.

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